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CNI debate norma de responsabilidade socioambiental com o setor financeiro

Representantes da indústria brasileira e do setor financeiro debateram nesta terça-feira (28) a política de responsabilidade socioambiental para as instituições financeiras. A conclusão das duas partes é de que esta é uma discussão fundamental para a competitividade do setor produtivo. O assunto foi debatido durante a primeira reunião do ano da regional Sul-Sudeste do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade (COEMA) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na capital paulista. Para o secretário-executivo do Coema e gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Shelley Carneiro, a Resolução 4.327/2014, do Banco Central, que cria diretrizes para o estabelecimento e a implementação da Política de Responsabilidade Socioambiental (PRSA) pelas instituições financeiras, precisa ser aplicada sem aumento da burocracia. Na avaliação dele, é fundamental que os bancos padronizem suas análises, assim como as empresas estruturem cada vez mais suas ações de sustentabilidade.

“Estamos começando a discutir o assunto, que é complexo. De um lado, o setor industrial tem as suas preocupações, com a ideia de que esta legislação venha somar e não diminuir a nossa competitividade. De outro lado, o setor financeiro pode ter um problema em ter como parceiro uma empresa que não atende os aspectos ambientais e sociais. Existem interesses de um e de outro. É isso que estamos tentando interligar, para nos ajudar mutuamente, e trazer um modelo que seja realmente útil para o setor industrial”, destacou Carneiro.

De acordo com Antônio Marcos Guimarães, assessor do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, a resolução não significa um risco novo para o setor produtivo, mas uma oportunidade para empresas que têm responsabilidade ambiental. Ele afirmou que a análise de crédito com base na responsabilidade socioambiental leva em conta aspectos de relevância, que é o grau de exposição ao risco socioambiental, e da proporcionalidade, que compreende a natureza da instituição e a complexidade de suas atividades. “As instituições devem demonstrar como consideram os riscos socioambientais no processo de gerenciamento das diversas modalidades de risco a que estão expostas”, detalhou.

A superintendente de Sustentabilidade do Banco Santander, Linda Murasawa, frisou que quanto mais boas práticas a empresa comprovar, mas baixo o risco para o banco e maior a chance de um financiamento para o projeto. O diretor de Relações Institucionais da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Mario Sérgio Vasconcelos, disse, por sua vez, que o setor financeiro tem lutado para obter uma base de dados pública para a PRSA. “As questões socioambientais inserem-se, em definitivo, no dia a dia dos negócios, contribuindo para a viabilização do desenvolvimento sustentável”, afirmou Vasconcelos.

AquapoloOs conselheiros do Coema visitaram o maior empreendimento de água reuso industrial da América Latina VISITA TÉCNICA – Os conselheiros do COEMA Sul Sudeste – que reúne integrantes das federações da Indústria dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo – visitaram na segunda-feira (27) o Aquapolo. Maior empreendimento de água de reuso industrial da América Latina, a empresa é formada por uma parceria entre a Odebrecht Ambiental e a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Localizado na divisa entre os municípios de São Paulo e São Caetano do Sul (SP), o Aquapolo opera com a distribuição de 400 litros por segundo de água de reuso para empresas do Pólo Petroquímico do ABC, em Mauá (SP).

SOBRE O COEMA – O Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade (COEMA) da CNI é composto por representantes de associações setoriais e de federações estaduais das indústrias. O colegiado tem como objetivo discutir e propor estratégias relacionadas com questões de interesse do setor industrial e projetos legislativos da área ambiental; apresentar subsídios ao processo decisório dos órgãos diretivos da CNI relacionados com o posicionamento estratégico e a atuação da entidade na defesa de interesses da indústria brasileira; e ampliar a participação de setores representativos, organizações e associações do segmento industrial, buscando consolidar e uniformizar a ação de representação da CNI.

(Agência CNI de Notícias – 29/04/2015)

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